sábado, 18 de julho de 2009

CAFE

Fazer café é um dos tantos mistérios na vida diária. É como se o sagrado das horas, diferente daquelas presentes no relógio e nas tarefas, estivesse ali presente. Num momento de pausa para suspirar e recompor as esperanças. Na casa da minha mãe se tem instante singular para ela e todos os presentes, é a hora do cafe da tarde. Poucos conseguem prepará-lo com habilidade e talento. Tal a importancia do instante que nunca se pensou em comprar uma máquina para fazê-lo ou usarmos o café solúvel. Com tantos anos de praticas, ela conseguiu fazer dos filhos e filhas, seus discípulos na preparação e na apreciação. Há um ponto em que se une ela e o preparo do café: Singular com o modo de colocar a quantidadeno de água no fogo, pôr a vasilha e o coador na mesa. Depois, as colheradas certas de café e açúcar. Daí, despejar a água quente e pronto. Quando se de tarde, o café preto é coado e seu aroma se espalha lentamente pela cozinha. Tal como uma mestra em alquimia...e em torno da mesa vem vindo gente para beber, feito um sacramento: uma fila de devotos a provar. Qual o segredo daquele preparo para ter a legião de tantos seguidores e devotos do sacramento. Seria o açúcar demais ou o barulho da água quente ou da colher a mexer na vasilha dando sino da igreja? Os dedos de prosa que se traçam nos goles de xícaras que vão embriagando todos nas conversas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

TEORIA DE PIAGET

As teorias de Piaget tentam explicar como o ser humano desenvolve e possui a inteligência. Cabe uma reflexão sobre o que seria o conceito de inteligência em si nas Ciências, mas isso fica para outro momento. Segundo o mesmo, os mecanismos que o indivíduo adquire e desenvolve para TER o conhecimento epistêmico e a própria inteligência em si foram elementos de constantes análises da pesquisa. É necessário ressaltar que a teoria tem base científica com comprovação das teses defendidas e compreende-se um conjunto de conhecimentos psicopedagógicos bastantes difundidos nas áreas de educação, psicologia e sociologia.
A inteligência ( objeto de suas investigações ) em Piaget, seria e é o mecanismo de adaptação do organismo a uma nova realidade. Sendo construída constantemente em novas estruturas, algo dinâmico e volátil com o meio social. O indivíduo vai crescendo de forma intelectual a partir de exercícios e estímulos do universo que o cerca e principalmente pelas trocas simbólicas que ocorrem com ele. Assim, o  físico-corpóreo também se desenvolve nesse processo. O comportamento reflete a interação e os valores adquiridos do ambiente social no qual está imerso. Essa versão é resumida para a abrangência e detalhes que o pedagogo suíço descreve. 
Quanto mais diversificada e complexa for interação social, maior será a estrutura de inteligência. Se o individuo puder interagir sobre o objeto de conhecimento e criativamente responder aos novos desafios postos, isso será sinal de maturação e capacidade de assimilação intelectual, pois ele estará mudando tal objeto. Essa assimilação e acomodação constituem-se em um mecanismo de equilíbrio progressivo do conhecimento.
Piaget elaborou a teoria denominando de psicologia genética. Não há inteligência inata, ou seja, o individuo não nasce sabendo; a gênese da moral (exterior ao individuo) se faz progressivamente em estágios sucessivos em que a criança organiza o pensamento e o julgamento. Assim adquirindo a capacidade de compreender e justificar suas atitudes e a dos demais. A psicogênese não é uniforme e ocorre em estágios não estanques de desenvolvimento mental (dependendo do grupo social a que pertença o individuo haverá variação nas faixas etárias).
A obra de Piaget não é uma didática específica, apenas mostra as fases e características do crescimento da maturação. O conhecimento e aquisição da teoria faz com que os educadores possam oferecer estímulos para um maior desenvolvimento do individuo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

manias

Manias de costinha



Um grupo de alunos e alunas resolveram fazer uma pequena seleção de "manias" minhas. Dai, saiu esse texto:


Quando ler algum texto em sala para todos, ele decora as frases que vem adiante e levanta os olhos para ver quem está conversando.

Assiti a filmes com legenda. Par se ter o costume de ouvir outra lingua. "os americanos dublam todos os filmes, pois so acham o ingles uma lingua bonita.

Não pede silencio. Ele para faz cara feia, para que todos percebam.

Coloca "bom" na agenda de cada um. O comportamento é resultado coletivo. E para se diferenciar dos outros professores.

Faz atividades avaliativas com consultas aos cadernos e livros, para incentivar a leitura e desepertar neles o interesse de estudar sempre.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O arapuca que desbundou no vivace

No final de 1965, surge o bar Arapuca, que se constitui um marco na história da capital potyguar. No recinto do arapuca reuniam-se gente dos diversos segmentos da sociedade para se encontrar e conversar. Embora a predominancia fosse de intelectuais e artistas.
O Arapuca funcionava no bairro do Alecrim. Havia dois outros bares digamos "underground": Pé de Mocó e Brizza Del Maré. Eram Bares populares palafitas no Potengi, na rua Ocidental de Baixo, perto do Paço da Pátria. O Brizza Del Maré tinha uma clientela mais selecionada, aberto para homens e mulheres, sendo o Pé de Mocó uma bar de freqüência por populares, embora essa separação não fosse tão rígida.
De fato podemos observar que os ambientes para a vivência e expressão dos incomformnismo social em Natal perpassam outros aspectos além da cena noturna. Como uma cidade de belas praias e com uma rede de serviços urbanos atuais, a mesma contém uma organização de sindicatos e grupos politizados.
Enquanto isso no âmbito internacional os anos sessenta será um marco referencial para unir os agrupamentos de mulheres, estudantes, homossexuais, negros e outros grupos que se considerassem minoritaios.
A década de sessenta registra grandes mudanças políticas e culturais na sociedade Ocidental. Acontecimentos como a rebelião do Bar Stonewall, em New York, a primavera de Praga e, em Paris, as manifestações estudantis são fatos históricos e políticos até hoje lembrados. O movimento Hippie e seu ideário político da paz e do “amor livre” espalham-se pelo mundo. Vamos perceber nesse movimento a buscada utopia da emancipação dos paradigmas moralistas. O cenário mundial se preparava para o surgimento do movimento político dos direitos politicos das minorias.
Na década de setenta surgem às discotecas. Elas tornaram-se espaço para a sociabilidade noturna e também para a contestação da ditadura militar instalada no Brasil como também a vivência da contracultura da época. De certa forma, a discoteca simbolizou um efeito de moda na época e que o ambiente agregou sa interação entre alienados e os politizados da época. Toda discoteca dos anos 70 que se preza tenta atrair também uma cliente ampla e clima ambíguo, no qual todos os gostos se misturam.
Já em Natal, os ambientes com a freqüência dos que constestam os valores genericos tornaram-se visíveis e tolerados pelos chefes das instituições morais, cada vez mais próximos do centro da cidade e sendo um espaço de atitude de contracultura da sociedade acerca do mesmo. Começam a ser exercida uma tolerância maior para a expressão do desejo do incomformismo social e provincianismo. O top top, situado na av. Rio Branco, próximo ao grande ponto; O saci, nas proximidades da igreja do Rosário; e o Bar do Neto, na Alexandrino de Alencar, no Alecrim.
Nesse período o termo “desbunde” torna-se uma expressão comum a todos. Seria uma espécie de liberação não vinculada com a esquerda e neem com a direita. Para isso, a liberação individual seria muito mais além do que um compromisso político. È possível detectar esse fenômeno nas áreas da música e do teatro no Brasil. No plano musical temos as expressões e atitudes assumidas em palco por Caetano Veloso e Ney Matogrosso e o grupo secos e molhados. Esse último aparece vestido com roupas andróginas, todo pintado e cheio de requebros, chegando a tornar-se um fenômeno midiático pelas letras de suas músicas e atitudes. No palco brasileiro, surge o grupo Dzi Croquete que procurou pelas suas performances questionar também como os cantores os padrões de gênero masculino e feminino. Homens faziam apresentações debochadas e ambíguas, vestidos com roupas de mulheres e cílios postiços, com meias de futebol e sapatos de salto alto. A atuação do grupo provocou o debate sobre a moral sexual entre as pessoas.
Outra experiência próxima a Natal vai surgir em Recife. Entre 1978 e 1981, a capital pernambucana tem em uma área de mangue a formação do Vivencial Diversones. Trata-se de um grupo formado por favelados, travestis e pobres que procuravam unir a marginalidade, os paradoxos de generos e a experiência de pobreza no palco. Vivencial Divesones tornou-se um sucesso de público por ridiculariza os elementos citados com seus atores e atrizes.
Em Natal ocorre a instalação de um grupo performático o vivace. O espaço foi inaugurado em março de 1981 e situava-se na rua Joaquim Lourival. Era uma casa de show e bar. Seus espetáculos baseavam-se em dublagem de transformistas, pequenos esquetes, que ora ridicularizavam os estereótipos sociais, ora faziam apologia ao relacionamento aberto, poesias porcesso, pequenos textos que ressaltavam os problemas vivenciados pelos cidadão comum: a solidão, as dificuldades financeiras, os laços afetivos com pessoas de segmentos diferentes da sociedade, a repressão moral e politica.
A pequena trajetória apresentada quer ser um retrato da história local acerca do assunto.Quem diria que há um fio condutor do arapuca ao vivace e que hoje está presente em ambientes alternativos ao da rota do turismo. Acreditamos que as pessoas da cidade são mais interessantes do que os cenários. Já quizeram transformar Natal numa Miami, depois em Disneylandia e agora em Las vegas tropical...

terça-feira, 10 de março de 2009

Felicidade clandestina nas noites de Natal

Nesse ensaio busco introduzir um resgate historico sobre os primeiros passos para a construção das noites de natal. De inicio exponho alguns dados coletados em entrevistas com pessoas que viveram a 'balada' nas decadas de 60 e 70...Tudo tem um começo e vamos a ele...
No final da década de 50, início dos anos 60, a movimentação das pessoas mais descoladas em Natal se restringia à atual Praça 7 de Setembro, localizada no bairro da Cidade Alta, e à Praça Augusto Severo, no bairro da Ribeira. Esses espaços eram “pontos” de encontros entre eles e para possíveis encontros sexuais com outras pessoas. Uma das gírias corriqueiras dessa época para o sexo era: “fazer o faroeste” conforme nos foi informado pelos entrevistados na minha pequena pesquisa. As esquinas da Igreja de Bom Jesus e Rua 15 de Novembro serviam ocasionalmente para conversas com as pessoas que os procuravam.
Uma figura conhecida na cidade era; Velocidade. Ele tinha recebido o apelido pelo fato de andar rápido pelas ruas da cidade. Em período de eleições, quando ocorriam os comícios e as paseatas pelos bairros perifericos, ou em festas púbicas de grande concentração, os locutores chamavam a atenção das pessoas para a presença dele. Já Rosa Negra recebeu esse pseudônimo pelo fato de ser negro e de sempre estar com um buquê de flores nas mãos que entregava para os transeuntes; ele estava presente constantemente nos arredores da Igreja do Galo. Depois da tradicional missa da noite de domingo, após o funcionamento da faculdade de Direito, e o fechamento das atividades no Teatro Alberto Maranhão, dois ou três populares menos conhecidos começavam a circular pelo itinerário Ribeira – Cidade Alta. Assim, funcionou durante muito tempo a convivência entre os transeuntes em Natal em busca de aventura sexual.
Na década de 60, começa a surgir bares a onde a presença de gente com uma certa contra-culutra já era observada pela sociedade em geral. Poderíamos dizer que seria uma movimentação mais visível em Natal de novos hábitos, inicia-se de forma singular e singela dos bares para as boates. No final de 1965, surge o bar Arapuca, que se constitui um marco na história em Natal, pois nos seus recintos reuniam-se artistas e intelectuais para se encontrar e conversar. O Arapuca funcionava no bairro do Alecrim. Havia outros dois bares: O Pé de Mocó e Brizza Del Maré. Eram Bares populares palafitas no Potengi, na rua Ocidental de Baixo, perto do Paço da Pátria. O Brizza Del Maré tinha uma clientela mais selecionada, aberto para homens e mulheres, sendo o Pé de Mocó uma bar de freqüência quase restrita de homossexuais, geralmente travesti. Para melhor diferenciar as clientelas, podemos afirmar que o brizza Del maré era freqüentado por entendidos e o Pé de Mocó tinha uma clientela de bichas, embora a separação não rígida.
De fato podemos observar que os ambientes para a vivência e expressão das sexualidades e a sociabilidade em Natal perpassam outros aspectos além da cena noturna. Como uma cidade de belas praias e com uma rede de serviços urbanos atuais, a mesma contém uma tímida rede de pontos de descolados, negros e outros grupos sociais. As diversas praias em Natal possuem pontos de referência para a sociabilidade de "nós" como os "outros": As praias constituem um territorio que se articulam pessoas de várias identidades. Em Ponta Negra, por exemplo, as áreas próximo ao Morro do careca são referências importantes e pontos de encontros de felicidades e clandestinos locais e estrangeiros.
A trajetória aqui apresentada quer ser ponta pé na reflexão histórica local acerca do dos bares, boates e points em Natal. Acreditamos que outros acontecimentos virão de onde menos se esperam para mostrar a dinâmica da sociedade e se instalarem na história do lazer e diversão na esquina do Atlantico Sul.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

OFICIO DE RAPAZ

Os garotos de programa (termo generico) se configuram no mercado do sexo de forma visível e impar. Se formos fazer uma analise sem medo do que existe em torno deles, ai sim e é necessario desconstruir mitos e falácias os mesmos.
Os adolescentes e jovens prestadores de serviços sexuais são tão reais quanto as garotas de programa e compõem as nossas vidas cotidianamente. Recebem várias denominações: “boy”, “ garoto de programa”, "masssagista de sauna" e “michê” entre outras.
O interesse é destacar pontos sobre o mercado do sexo viril e as relações com as identidades construtivas e a (des)territorialidade do desejo no próprio espaço social e do corpo. E também desvincular o moralismo religiosos, o senso comum da midia e a visão vitimista dos discursos politicos para com a questão.
Desde a academia de musculação até as grifes de roupas masculinas, eles vão se elaborando na fantasia sexual para a vasta e especifica clientela que os procuram com seus serviços sexuais. Por outro lado, os jovens profissionais do sexo fazem uma mobilizadade social a partir das benesses, perpassam possibilidades de ter instabilidade econômica e acesso a bens culturais. Os mesmos têm desenvolvidos um mercado exclusivo dentro da onda do sex trade e dão contornos para se pensar questões entre sexualidade e a interação dos valores capitais, ou sejam inserem novos elementos dentro das reflexões de gênero, da identidade, práticas sexuais e outras.
A relação econômica dos jovens profissionais do sexo torna-se simétrica a atividade sexual? Não pode-se afirmar que em primeiro plano reside a necessidade financeira e que usa-se o sexo para garantir um rendimento honorário e ao mesmo tempo ter/dar um prazer efêmero. O financeiro se torna um elemento nos serviços sexuais, não é o principal ou o mais importante. Nosso olhar se condicionou a enxergar a questão assim e deve-se desconstruir o adestramento dos valores acerca dos profissionais do sexo.
Dependendo do prestador de serviço, o local e o que vai acontecer o preço vai variar.DAi, a necessidade de relativizar a questão como algo puramente economico.É incerto e improvável entre quem faz e que procura. Existe internamente na prostituição viril, as situações entre os garotos de programa e clientes com outros intercambios que mancham a fronteira: dinheiro e prazer.
Há quem oferece serviços por telefone, coloca-se o número nos jornais e pronto.Ou internet com blogs, sites de relacionamentos e outros. Se dizem “universitários” “rapazes fino trato” e outros adjetivos que moldam-os até as partes intimas com polegadas para as fantasias desejadas. Já os “massagistas” de saunas aparecem são jovens autônomos, e que a noite prestam serviços com massagens. Por fim, há aqueles que vão para rua e em algum bar. Esse grupo seria os despossuídos por estarem contando com todos os clientes e ficarem a mercê dos riscos que a noite oferece. Acredito que são os mais estigmatizados, pois eventualmente, um marginal se passa por garoto de programa e rouba ou comete violência com os clientes. Como já mencionei, isso não quer dizer que são categorias estanques. Alguns elevam na hierarquia e tem ascensão para o topo dessa pirâmide de mercado.
Então, qual o seu oficio rapaz?