segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pierre Bourdieu

Pierre Bourdieu, na obra “A dominação masculina”, discorre acerca da estrutura do poder do masculino em seu eterno processo de eternizarão do gênero. O ser homem (corpo) no sentido social está automaticamente associado a identidades heterossexuais ( sexualidade ) e ao masculino. A “ doxa” seria a crença ou práticas sociais que são consideradas como normais, evidentes por si mesmas, não sendo objeto de nenhuma discussão ou reflexão. A partir daí, homens e mulheres vivem seus gêneros, exercem a sexualidade e elaboram o corpo cultural de acordo com os padrões coercitivos do meio social.
As analises de gêneros sempre estiveram associadas ao corpo e à sexualidade. Quando pensamos em sexualidade e corpo estendemos nossas observações para o Gênero pela visão reducionista e essencialista da divisão biológica. Desta forma, a tríade se naturaliza como social e torna-se obrigatória para o individuo, a apropriação e o uso dos mesmos, fazendo deles uma afirmação de seu caráter construtor pela historia e sujeição no social.
A tríade influencia o individuo, perpassa as próprias fronteiras instauradas dos mesmos e fluem para outros campos. Ressaltamos o importante papel desempenhado pelos mecanismos culturais adversos para a formação da sexualidade, do corpo e gênero dentro de um contexto social restrito que reflete de forma singular na condução da pessoa. O controle e a vivencia vão ser cercados de tabus e códigos que têm como ponto comum o exercício da subordinação e da dominação.

sábado, 18 de abril de 2009

TEORIA WEBERIANA

Max Weber é um dos mais celebres pensadores das ciências humanas, foi um construtor do saber transdisciplinar escrevendo obras que perpassam diversos campos da economia, história, educação, política e sociologia. Intelectual que decifrou embates da vida daqueles que se dedicaram a viver da e para a vocação de professor, tendo à dedicação, a paixão e a inspiração, elementos importantes. Weber nos deixou uma obra-prima de relevante dimensão: “Economia e sociedade”. Nela é estudado tanto o seu método e instrumento de analise sociológica, isto é, a metodologia compreensiva como os tipos ideais, definem sistematicamente os tipos de ações, a compreensão e dedicação daqueles que se dedicam à vocação de cientista deixando de fora juízo de valores que poderão contaminar o fazer de sociólogo ou do cientista de uma forma geral.
De acordo com Raymond Aron no livro “As etapas do pensamento sociológico” pode-se tentar classificar as obras de Weber em quatro categorias.
1) As obras que trataram unicamente das ciências humanas e historia, e da sociologia, isto é, a metodologia, estas obras são epistemicas, expressam uma filosofia da historia e do homem, mostram a relação ciência ação os principais trabalhos neste campo estão reunidos nos ensaios sobre a teoria da ciência(Ensais sur la theorie de la science).

2) As obras que tratam do campo da historia como estudo sobre a relação de produção na agricultura no mundo antigo, a economia geral, os trabalhos especiais sobre problemas econômicos da Alemanha ou da Espanha contemporânea, por exemplo, uma pesquisa sobre a situação da Prússia oriental, em especial sobre as relações entre camponeses Poloneses e as classes dirigentes Alemãs.


3) A celebre obra a “A ética protestante e o espírito do capitalismo” onde efetuou uma comparação comparativa entre a ação ética das religiões (o calvinismo, o pietismo, o metodismo e as seitas Batistas), e a vocação econômica no ceio destas religiões, suas convicções e identidade.

4) A obra prima que é o tratado de sociologia denominado “Economia e sociedade” nesta obra Weber define conceitos sociológicos fundamentais como o conceito de poder, ação social, a dominação (racional, tradicional e carismática) um estudo sobra estamentos e classes,a ordem econômica, mercado, a sociologia do direito, e uma sociologia do Estado.

É necessário lembrar que Weber efetuou um trabalho sobre o tipo ideal de política e do cientista refletindo filosoficamente sobre o trabalho vocação a independência e a solidariedade entre a Ciência e a Política. Numa época em que o desenvolvimento social de uma dada sociedade depende intrinsicamente desses dois elementos, convém, portanto refletir a aplicabilidade da obra: “Ciência e política: duas vocações” (Wissenschaft Als Beruf e Politik Als Beruf).
Deste modo a teoria weberiana tem como ponto inicial a ação e classificação dos tipos de ação (ação lógica e ação não lógica, mesmo sem seguir essa classificação Weber vai mostrar-nos quatro ações sociais, a qual a sociologia procura entender, compreender de forma interpretativa:

a) Ação racional: Com relação a um objeto (zweckrational): determinando o modo racional referente a fins. “determinadas por expectativas no comportamento do objeto do mundo exterior, como de outros homens, e utilizando essas expectativas como condições ou meios para alcançar fins próprios e racionalmente avaliados e perseguidos”.

b) Ação social com relação a valor posto: (Wertrational): de um modo racional referente a juízos de valores. “Determinada pela crença consciente do valor – ético, estático, religioso ou de qualquer outra forma como seja interpretado...”.


c) Ação afetiva ou emocional: (de modo afetivo, especialmente emocional): por afetos ou estados de sentimentos atuais.

d) Ação tradicional: (de modo tradicional) por costume e hábitos arraigados a conduta do individuo na sociedade.

A tarefa daquele que se dedica à sociologia será a de descobrir os possíveis sentidos das ações humanas, desse modo o sentido da ação humana deve ser desvendado. De acordo com Weber o objeto da sociologia é:
“Sociologia (No sentido aqui entendido desta palavra empregada com tantos significados diversos) significa: uma Ciência que tenta interpretativamente entender a ação social e assim explicá-la causalmente em seu curso e em seus efeitos”. Por ação entende-se, neste caso, a ação humana (tanto faz tratar-se de um fazer externo como um interno de omitir ou de permitir sempre que e na medida que um agente ou os agentes se relacionem com um sentido subjetivo. A ação social, por sua vez significa uma ação que, quanto ao seu sentido visado pelo agente ou agentes, se refere ao comportamento de outros, orientando-se por este em seu curso.
A sociologia é uma ciência que procura compreender a ação social e esta compreensão implica na percepção do sentido que o ator social atribui a própria conduta. Sentido com definido da ação social: fundação metodológica do sentido. Para Weber “Sentido é o sentido subjetivamente visado”, entendemos o sentido subjetivo indicados pelos sujeitos da ação.
1) Existente de fato: Um caso historicamente dado. A) Como media e como aproximação numa determinada massa de casos.
2) Construído num tipo ideal, com atores deste caráter.
3) Os limites entre uma ação com sentido e um comportamento simplesmente relativo.

Weber construiu conceitos sociológicos básicos para a consolidação da sociologia como ciência. Suas teorias e conceitos se desdobram em outras analises sociologicas e até hoje influenciam ao desenvolvimento da Teoria e metodologia cientifica. Cabe-nos ler os escritos e comentarios para entendermos a sociedade...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O arapuca que desbundou no vivace

No final de 1965, surge o bar Arapuca, que se constitui um marco na história da capital potyguar. No recinto do arapuca reuniam-se gente dos diversos segmentos da sociedade para se encontrar e conversar. Embora a predominancia fosse de intelectuais e artistas.
O Arapuca funcionava no bairro do Alecrim. Havia dois outros bares digamos "underground": Pé de Mocó e Brizza Del Maré. Eram Bares populares palafitas no Potengi, na rua Ocidental de Baixo, perto do Paço da Pátria. O Brizza Del Maré tinha uma clientela mais selecionada, aberto para homens e mulheres, sendo o Pé de Mocó uma bar de freqüência por populares, embora essa separação não fosse tão rígida.
De fato podemos observar que os ambientes para a vivência e expressão dos incomformnismo social em Natal perpassam outros aspectos além da cena noturna. Como uma cidade de belas praias e com uma rede de serviços urbanos atuais, a mesma contém uma organização de sindicatos e grupos politizados.
Enquanto isso no âmbito internacional os anos sessenta será um marco referencial para unir os agrupamentos de mulheres, estudantes, homossexuais, negros e outros grupos que se considerassem minoritaios.
A década de sessenta registra grandes mudanças políticas e culturais na sociedade Ocidental. Acontecimentos como a rebelião do Bar Stonewall, em New York, a primavera de Praga e, em Paris, as manifestações estudantis são fatos históricos e políticos até hoje lembrados. O movimento Hippie e seu ideário político da paz e do “amor livre” espalham-se pelo mundo. Vamos perceber nesse movimento a buscada utopia da emancipação dos paradigmas moralistas. O cenário mundial se preparava para o surgimento do movimento político dos direitos politicos das minorias.
Na década de setenta surgem às discotecas. Elas tornaram-se espaço para a sociabilidade noturna e também para a contestação da ditadura militar instalada no Brasil como também a vivência da contracultura da época. De certa forma, a discoteca simbolizou um efeito de moda na época e que o ambiente agregou sa interação entre alienados e os politizados da época. Toda discoteca dos anos 70 que se preza tenta atrair também uma cliente ampla e clima ambíguo, no qual todos os gostos se misturam.
Já em Natal, os ambientes com a freqüência dos que constestam os valores genericos tornaram-se visíveis e tolerados pelos chefes das instituições morais, cada vez mais próximos do centro da cidade e sendo um espaço de atitude de contracultura da sociedade acerca do mesmo. Começam a ser exercida uma tolerância maior para a expressão do desejo do incomformismo social e provincianismo. O top top, situado na av. Rio Branco, próximo ao grande ponto; O saci, nas proximidades da igreja do Rosário; e o Bar do Neto, na Alexandrino de Alencar, no Alecrim.
Nesse período o termo “desbunde” torna-se uma expressão comum a todos. Seria uma espécie de liberação não vinculada com a esquerda e neem com a direita. Para isso, a liberação individual seria muito mais além do que um compromisso político. È possível detectar esse fenômeno nas áreas da música e do teatro no Brasil. No plano musical temos as expressões e atitudes assumidas em palco por Caetano Veloso e Ney Matogrosso e o grupo secos e molhados. Esse último aparece vestido com roupas andróginas, todo pintado e cheio de requebros, chegando a tornar-se um fenômeno midiático pelas letras de suas músicas e atitudes. No palco brasileiro, surge o grupo Dzi Croquete que procurou pelas suas performances questionar também como os cantores os padrões de gênero masculino e feminino. Homens faziam apresentações debochadas e ambíguas, vestidos com roupas de mulheres e cílios postiços, com meias de futebol e sapatos de salto alto. A atuação do grupo provocou o debate sobre a moral sexual entre as pessoas.
Outra experiência próxima a Natal vai surgir em Recife. Entre 1978 e 1981, a capital pernambucana tem em uma área de mangue a formação do Vivencial Diversones. Trata-se de um grupo formado por favelados, travestis e pobres que procuravam unir a marginalidade, os paradoxos de generos e a experiência de pobreza no palco. Vivencial Divesones tornou-se um sucesso de público por ridiculariza os elementos citados com seus atores e atrizes.
Em Natal ocorre a instalação de um grupo performático o vivace. O espaço foi inaugurado em março de 1981 e situava-se na rua Joaquim Lourival. Era uma casa de show e bar. Seus espetáculos baseavam-se em dublagem de transformistas, pequenos esquetes, que ora ridicularizavam os estereótipos sociais, ora faziam apologia ao relacionamento aberto, poesias porcesso, pequenos textos que ressaltavam os problemas vivenciados pelos cidadão comum: a solidão, as dificuldades financeiras, os laços afetivos com pessoas de segmentos diferentes da sociedade, a repressão moral e politica.
A pequena trajetória apresentada quer ser um retrato da história local acerca do assunto.Quem diria que há um fio condutor do arapuca ao vivace e que hoje está presente em ambientes alternativos ao da rota do turismo. Acreditamos que as pessoas da cidade são mais interessantes do que os cenários. Já quizeram transformar Natal numa Miami, depois em Disneylandia e agora em Las vegas tropical...