domingo, 24 de outubro de 2010

AS EXPLICAÇÕES DA RELAÇÃO ENTRE CULTURA E NATUREZA


  


          O ser humano não traz, ao nascer, uma determinação natural do comportamento. A conduta  do mesmo é feita numa relação dinâmica com a natureza, onde se aprende a lidar com ela, e assim elaborar  um sistema humano de linguagem que lhe permite se situar em relação à natureza. Neste sentido, o ser humano é inacabado (BERGER:1985), precisando da Cultura para poder se relacionar com o meio. A cultura torna-se esse viés pelo qual se percebe diferente dela e busca o controle da natureza, ao mesmo tempo em que se sente parte dela e vive um processo de constante reelaboração dos significados do meio social.
É na condição de ser transformador das leis “naturais” e modificador do meio que as necessidades também geram um ato de organizar simbolicamente a vida e se tornar refém da condição simbólica.(GEERTZ:1989) Nesse ato organizado e instaurado do social já podemos considerá-lo como um ser tecnológico, capaz de aprimorar seus utensílios e suas formas de socialização. Malinowski viria acrescentar ser necessário seguir uma análise dessa transformação pelas chamadas “necessidades naturais” do ser humano para o modo com ele põe para funcionar a cultura.
Por outro lado, poderíamos afirmar como capacidade exclusivamente humana: a linguagem e a ação por “liberdade”. Esses dois pontos são importantes para compreendermos a Cultura é um conceito construído em oposição à natureza. Porém, buscamos aprofundar essa questão com referências mais atenuantes no universo dos significados. O antropólogo estruturalista Levi-Strauss colabora com essa análise acerca do tema: Natureza e Cultura, refere-se a “lei do incesto”( LEVI-STRAUSS: 1982) que surge no momento em que os humanos faz a passagem do estado de natureza à cultura. Os animais desconhecem tal ordem em seus sistemas. Outros elementos colocados pelo antropólogo está na ordem do cru e do cozido e da domesticação do fogo. A capacidade de preparar seus alimentos pelo cozimento é singular no universo humano. Desta maneira, viriam outras questões ligadas à morte, ao ritual de sepultamento e à sexualidade. A lei na ordem da cultura é a constatação que os humanos são capazes de criar uma existência que não é apenas natural, é uma ordem simbólica.
Assim, não houve um estado de evolução biológica no ser humano para depois ocorrer o aparecimento da cultura. Ambos acontecerem simultaneamente e intrínsecamente na formação do homem.O ser humano em seu processo particular de socialização vai desde cedo, nas diversas culturas, a incorporar os símbolos que lhe prescrevem o viver em sociedade. Desta forma, ser membro de uma determinada sociedade é se naturalizar como social, fazendo-se um objeto por completo do seu caráter construtor pelo tempo e espaço.

domingo, 10 de outubro de 2010

O TRABALHO DE CAMPO E A ETNOGRAFIA





A antropologia, disciplina das ciências humanas, desenvolveu um método mais empírico e qualitativo voltado para as particularidades das sociedades e culturas investigadas, permitindo o progresso singular das áreas de conhecimento. Por outro lado, essa delimitação fez a própria Antropologia cair num reducionismo teórico.
O conhecimento antropológico sempre foi de ciência da alteridade, buscando investigar o “outro”, suas particularidades e diferenças.
A “observação participante” (método de pesquisa) que leva o antropólogo à análise das informações, desvendar os significados e a conviver com a realidade estudada.  Observar é uma estratégia que exige rigor e método.
O trabalho do pesquisador deve ser iniciado com a sua inserção no campo, tentando descobrir as inter-relações possíveis. Observação participante inclui o observar, escutar e escrever. O antropólogo deve procurar estabelecer critérios de observação. O registro sistemático das informações, pois irão sustentar a regularidade do fenômeno visto e sua singularidade.


SINCRONIA, DIACRONIA E HISTÓRIA

A sincronia foi uma grande crítica realizada pelos antropólogos estruturalistas, pois está implícito conceitos de primitivo, arcaico em diferentes sociedades. Aos poucos a antropologia procurava aproximar a análise sincrônica da abordagem histórica.
A diacronia sai da busca das origens e do futuro (como crêem historiadores e arqueólogos) e observa a questão da mudança e mobilidade de aspectos culturais. Por essa razão, o antropólogo deve se ater ao dados e alargar suas análises presente no objeto investigado.

sábado, 9 de outubro de 2010

CORRENTES ANTROPOLÓGICAS AO LONGO DA HISTORIA


O desenvolvimento e a expansão do capitalismo propiciaram o florescimento da Antropologia. Assim, as sociedades não-europeias eram vistas como sociedades de pesquisa por terem uma condição diferente da que era vivida nos países da Europa. A  primeira teoria antropológica, a EVOLUCIONISTA, observa que a humanidade seria composta de diversas espécies em diferentes etapas, cada sociedade estava inserida num continuo de escada (as mais atrasadas para as mais evoluídas em tecnologia.
O funcionalismo sucedeu ao evolucionismo como crítica ao seu EUROCENTRISMO e ETNOCENTRISMO. De acordo , cada sociedade constitui uma totalidade integrada e composta em si mesma, que tem a função de satisfazer as necessidades dos integrantes que a ela pertencem. Malinowski definiu FUNÇÃO como, A RESPOSTA DE UMA CULTURA A UMA NECESSIDADE BÁSICA DO HOMEM.
O ESTRUTURALISMO é outra  abordagem do conhecimento antropológico. Em sentido figurado e simples, a ESTRUTURALISMO explica que a cultura se assemelha aos elementos não-visiveis que sustentam a edificação e estabelecem as relações culturais que sustentam as partes que compõem cada cultura.
Os novos estudos científicos emergentes como a psicanálise, semiologia e o marxismo vão ser assimilados na teórica antropológica estruturalista. Lévi- Strauss observa que uma elaboração estrutural teórica é capaz de ver os sentidos dos dados empíricos de cada realidade investigada.
Já O INTERPRETATIVISMO, corrente bem atual, busca entender os significados das ações culturais como uma produção essencialmente simbólica. Para compreender o “simbólico” humano é necessário interpretar. Ou seja, o ser humano é um ser de linguagem a ser interpretada. Só podemos apreender o objeto de estudo pelo discurso e, portanto pela interpretação simbólica, sua decifração e formas de expressões no DITO e NÃO-DITO, NAS ENTRELINHAS.