terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Incondicional

Quando o reencontro ocorreu nem se podia acreditar no destina e pouco imaginar naqueles dois. Na rua deserta, um ficou parado e o outro disfarçou até desaparecer de vista. Minutos depois, ele voltou num passinho curto e ligeiro, parecia procurar algo pela maneira com que olhava as vitrines. Chegou perto e cheirou o ar demoradamente e abriu a boca como quem ia dizer algo. Reconheceram-se por alguma razão implícita, mas que estava na memória.
Sentou-se no meio-fio da calçada e olhou fixamente para a menina. Quanto se passou nesse instante poderia ter sido incalculável, pois o que havia entre os dois eram a vontade de um pertencer ao outro. Bastava a menina fazer um gesto ou dizer uma palavra carinhosa e pronto. Quebraria o silencio e o clima abafado. Então, o pequeno vira-lata latiu. Ela estendeu a mão e fez um afago em sua cabeça deslizando até o pescoço.
De repente vieram as gotas de chuva a cair por todo o canto. Os dois se assustaram, ela procurou abrigo na marquise de uma loja e ele ainda teve tempo de parar num poste, fazer xixi e sair correndo pela rua.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Made in Macaiba

Macaíba possui um destino melhor por mais que existam pessoas que sejam pessimistas, sem esperança de melhorarmos e com uma visão curta sobre a grandiosidade da Cidade. Aqueles que igualmente a mim, buscam dias melhores, tendo como ponto de partida, o cotidiano da cidade como exemplo dessa superação de atraso, acharem interessante o que transcrevo a seguir. Busco mostrar alguns sinais de que vivemos num lugar marcado pela magia e pela vontade de vencermos todos aqueles que insistem em adiar os dias melhores.
Para qualquer morador existe aquele espaço de sedução que cativa-o na cidade. É um cantinho que gostamos de ir e projetarmos nossos ideais dentro da sociedade. Cada um sabe o que digo. São lugares que possuem um elo que une aos populares; locais como ruas, becos, praças que são apelidados carinhosamente pelos frequentadores, pontos de referencias para interação com os seus amigos. As vezes, pode ser um evento ou festa que existe no município. Várias vezes, ao atravessar a ponte sobre o rio Jundiai, percebi isso: uma pessoa olhando a maré. Contemplando de maneira rápida e o transito intenso de pessoas e automóveis.
Alguns amigos quando vem me visitar, ficam admirados com o povo na rua. A riqueza do que ocorre a todo instante, as gargalhadas sonoras das pessoas e principalmente a diversidade de gente que lhes saltavam aos olhos. Comentavam que como pode uma cidade ter tanta gente bonita, espalhadas pelo mesmo lugar. Somos macaibenses talentosos nas respostas as dificuldades cotidianas. Macaíba é viva e pulsante dessa magia.
Nos últimos anos, o processo de imigração fez a cidade crescer na economia e principalmente em habitantes. A riqueza produzida aqui não é distribuída entre os cidadãos. Acumulou-se nas mãos de gente ambiciosa que agarra com toda forma e não quer compartilhar.  Já  alcançamos 80 mil habitantes, dos quais boa parte são oriundos do sertão (IBGE, 2010). As pessoas que saem do interior do estado para sobreviver na capital, optaram por morar aqui devido a vários fatores, em sua maioria são pessoas que trabalham nas áreas de serviços, autônomos e pequenos agricultores daqui ou na região metropolitana. Mas, tem um detalhe que deve ser apreciado: eles querem viver com dignidade, também desejam colaborar com a cidade nos aspectos mais comuns na cultura, no esporte enfim, na cidadania.
Observe os vendedores ambulantes, retrato disso que discorro. Percorrem entre os pedestres das ruas oferecendo milho, algodão doce, geleia, frutas... Tentam sobreviver a selvageria de crise econômica e ao mesmo tempo tem o mínimo dignamente para viver em meio ao caos social. Um homem empurra um carrinho de som irritando as pessoas com musicas e anúncios publicitários é o sinônimo de nós mesmos. Sugiro que faça a experiência, dê uma caminhada a pé pelas ruas da cidade, depois sente-se num banco da praça e veja o que acontece. A cena pode muda a cada segundo. Não existe rotina em Macaíba.
Sei que temos em alguns casos iguais as cidades potiguares. Sentimos o peso do desemprego, a violência generalizada, crime organizado, degradação do meio ambiente e depreciação dos bens públicos. Também existe a qualidade de vida que é baixa, mas o nosso município contém uma infraestrutura social precária e inoperante na área de saúde, lazer e educação que não atendem e nem satisfaz a maioria da população. Caso quisesse, os responsáveis diretamente pela solução de cada um desses obstáculos poderiam resolver, mas acontece que esse quadro é quem os mantem nos poder, é o que satisfaz um grupo minúsculo que nem mora aqui.

Assim, Macaíba possui um destino de ser singular e é forte por suas xananas. Flor símbolo da leve e da resistência a tirania. Para se entender essa terra é preciso algum tempo – diferente desse dos relógios - para se notar o que a torna diferente de tantas outras. Não existe outra alternativa, a não ser assumirmos a conduta de responsáveis pelo presente e futuro. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Uma arma dentro de casa


Nas últimas semanas, a notícia se repetiu exaustivamente e não me saiu da cabeça: A tragédia do menino em Goiânia. Por ser chamado de "fedido" pelos alunos da sala, ele pegou o revolver do pai, levou para a escola e atirou nos colegas. Só não matou mais porque quando estava recarregando o revolver foi rendido por um professor. Fatos semelhantes já aconteceram e irão se repetir no futuro, mas fica a pergunta: Será que não temos como evitar isso? Li várias reportagens sobre o ocorrido com comentários que especialistas e lembrei-me de outro semelhante que houve em Macaíba. Ha alguns anos atrás, duas adolescentes saíram da escola e foram a casa de um tio delas. Como não havia ninguém, a "sobrinha" resolveu mostrar o revolver a amiga, dai veio a fatalidade. A arma foi disparada acidentalmente e matou a amiga. A adolescente que disparou a arma nunca mais foi a mesma, teve depressão e saiu da escola. Sua família mudou-se para outra cidade. A família da adolescente que morreu também se desestruturou, o pai vendeu a casa, pediu demissão e se mudaram da cidade. O fato caiu no esquecimento dos outros igualmente como vemos uma filme e depois esquecemos na próxima semana, mas a cicatriz continua a marcar as inúmeras famílias vitimas de armas de fogo. Até hoje, ambas as famílias tentam reconstruir suas vidas distante da cidade e seguir seu rumo normal.
Mas, voltando ao caso recente, análise de todos os tipos de como isso acontece sempre aparece, umas para camuflar a situação anterior e outras para provocar um debate sem chegar a horizontes maiores.  Alguns questões ainda não foram esclarecidas devidamente e se forem, não mudaram o que já é realidade: o uso de armas de fogo e o porte delas para qualquer cidadão. Isso é um risco para a sociedade que tem uma historia sangrenta. Guardar a arma num lugar e as balas outro lugar não evitaria que alguém fosse a sua casa assaltar e desistisse. Ter um revolver no carro não vai constranger quem irá toma-lo de assalto. Existem valentões que acreditam no contrário.
O problema é bem mais complexo e amplo do que podemos imaginar. Temos que assumir a responsabilidade de mudarmos a ideia de que a dor dos outros é apenas deles. É nossa também, é uma questão de empatia. Estamos vivendo num período de soluções imediatistas e superficiais para problemas bem mais profundos historicamente, pois não queremos raciocinar de forma complexa sobre outros ângulos o tema da violência e o uso de armas de fogo, o que gera a "naturalização" da violência dentro do nosso cotidiano.
A sociedade brasileira se construiu com violência e ódio em cima de negros e índios, com brutalidade sobre os pobres e opressão a cidadania das classes inferiores. O Estado autoritário se instalou de maneira silenciosa no nosso dia a dia que  nem somos capazes de pensar em viver sem o mesmo usar do autoritarismo. As instituições religiosas estão lotadas de fieis que ouvem pregações iradas contra os outros do que sermões pacifistas. Não matar ou Ama-vos uns aos outros, foram apagados da fé. Os programas sensacionalistas que dominam os horários da televisão põe mais lenha na fogueira do uso da violência como solução a própria violência.
Certa vez, um policial me convenceu com argumentos simples porque não devemos ter armas em casa. Um policial tem o cotidiano cheio de momentos onde ele usa o revolver como ultimo recurso contra o bandido. Por sua vez quem faz assaltos e comete crimes também sabe manusear um revolver mais do que alguém que compra uma e espera um dia usá-la num certo dia.

Podemos desconstruir a tola ideia de ter uma arma em casa pode nos dar mais "segurança" e evitar mais acidentes, envolver mais as pessoas e instituições na campanha de desarmamento, uma educação pacífica entre crianças e jovens que estão mergulhados nos filmes e jogos eletrônicos violentos. As dores silenciosas e esquecidas dos que morrem por motivos banais devem se reverter em maneira de pensarmos coletivamente a nossa sociedade, o que queremos e como podemos mudar essas tragédias anunciadas sendo a favor ou contra a compra de armas pelo cidadão comum. Transformar a dor em experiência que sirvam de amadurecimento para uma sociedade sem arma e sem violência. Afinal, já perdemos muitos cidadãos para as mortes com armas de fogos e isso já é suficiente para a guerra armada que finge ser uma sociedade de ordem e progresso.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Macaíba, uma árvore invisível.

Macaíba quase não tem uma ação gestão pública para a preservação das suas áreas verdes, embora seja um dos maiores territórios da região metropolitana e possuir mangue, mata atlântica e caatinga, aspecto singular do município entre os demais do Rio Grande do Norte. O que sabemos de fato é que uma ou outra escola distribui mudas durante a semana da árvore ou um programa esporádico de plantio de mudas municipal. Não podemos continuar crescendo sem o cultivo de árvores no perímetro urbano e tão pouco proteger as áreas verdes ainda existentes. As árvores são necessárias para o meio urbano por amenizar as temperaturas, umedecer o ambiente e reduzir os poluentes atmosféricos, além de diminuir a poluição sonora. Ou seja, exerceremos mais a nossa cidadania e o futuro de cidade quando relacionarmos ela diretamente ao cultivo e cuidado de árvores espalhadas pelas ruas e estradas e a preservação ambiental.
Primeiro, quero levantar alguns pontos sobre a arborização e a diminuição dos espaços verdes no perímetro urbano e como iniciativas públicas e particulares podem ajudar a rever esse quadro e ainda colaborar na qualidade de vida da população.
É curioso notar que o município recebe o nome de uma árvore e quase não existir Macaíba nos espaços públicos. Um pouco contraditório. Vale ainda ser ressaltada a presença do baobá, na estrada do colégio agrícola. De origem africana, a árvore é uma referencia sentimental entre os cidadãos que cruzam a estrada diariamente. Outra curiosidade é sobre Auta de Sousa ter versos sobre o jasmineiro plantado pela própria, ou seja, percebemos nesses exemplos que as árvores fazem parte da historia da vocação da cidade para árvores e defender as mesmas se torna necessário.
            Recentemente foi iniciado um programa municipal arboriza Macaíba, na tentativa de plantio em praças da cidade. Uma breve leitura do projeto demonstra que somente planta-las não se resolve a questão. Sair por ai colocando árvores e sem se quer revelar quem fará a manutenção das espécies que ficaram sujeita a morrem com o tempo pode ser perda de tempo, outro que merece o devido cuidado e manutenção é o mangue que cruza o rio Jundiaí. Ele continua sendo deposito de lixo e retiradas árvores de grandes portes.
Nos últimos anos, o desmatamento para fins imobiliários e de estacionamento tornaram-se constante, Recordo que ao lado da Igreja Matriz havia uma praça com bancos e até uma fonte, e foram destruídos totalmente. Hoje funciona como estacionamento de carros durante a semana. Outro exemplo que está ocorrendo de forma silenciosa é no terreno ao vizinho a Escola Estadual Dr. Severiano. Uma área verde com espécies de Mata Atlântica que ficou por anos naquele local e agora está desmatada e será um espaço para loteamento comercial.
Observe as repartições públicas municipais e estaduais e veja quantas tem nas calçadas árvores, o mesmo ocorre com as grandes empresas comerciais e industriais da cidade. Quase nenhuma árvore se encontra em seus perímetros. Desses lugares deveriam vim o exemplo de cuidado com as arvores.
            Outros exemplos de descasos: o poço do eco e a lagoa das pedras. Ambos possuem condições para arborização e cuidado e estão esquecidos de qualquer tipo de ação da gestão municipal.  Recentemente, amigos fizeram a limpeza dos locais por iniciativa própria.  
No sentido centro – periferia nota-se que quase não existem árvores nas ruas da área central e na periferia, há uma presença maior delas nos quintais. Muitos terrenos publicos ociosos poderiam se transformar em hortas comunitárias. No centro de Macaíba, há as praças onde o cuidado e manutenção fica sobre a responsabilidade das pessoas do entorno.

Assim, o incentivo de plantar árvores nas calçadas por meio de desconto no IPTU de forma progressiva e um inventário de quantas árvores existente seriam os primeiros passos para a preservação das espécies e ajudariam a diminuir a carência de árvores nas vias centrais. Um horto municipal torna-se necessário para administrar a gestão de arvores e o meio ambiente na cidade. Não podemos ir adiando essa necessidade diante das outras demandas sociais, ela podem e devem caminhar juntas para que possamos ter uma cidade melhor.

sábado, 23 de setembro de 2017

Macaíba, a cidade e as bicicletas.


                A principal forma de deslocamento nas cidades com a urbanização e o aumento populacional é o uso de ônibus. Diariamente, as pessoas percorrem distancias enormes dentro de um coletivo como único meio de locomoção. Um serviço precário e insatisfatório. Com o passar do tempo e enfrentando novos desafios, cada vez mais constante de chegar ao trabalho ou em casa, buscou-se uma solução individual. Não houve uma politica continua de governo para se somar a outras alternativas ao uso do ônibus. Para se livrar do “nó”, o usuário resolveu optar por comprar um carro ou moto. Desta maneira, engarrafou as ruas com veículos e produziu o efeito de “gente” diferenciada dos outros. Quem usa e quem não usa transporte coletivo, serve como modelo de se ver na cidade. A seguir, mostrarei algumas vantagens para uso da bicicleta, além daquelas que as pessoas comentam em relação a saúde e ao meio ambiente. Não se pretende aqui fazer mais criticas obvias ao que já sabemos sobre o sistema de mobilidade em ônibus. Busco estimular o debate para uma mudança de mentalidade e atitude quanto ao uso racional da bicicleta.
                A engenheira de tráfego busca sempre alargar ruas, abrir novas avenidas e viadutos e assim colaborar para o aumentou do fluxo de veículos. Nos últimos anos a compra de carros e motos dispararam em todo o Brasil.  Esse quadro caótico das ruas com trânsito intenso de ônibus, carros e motos, em nada funciona na mobilidade das pessoas. Só fez adiar algo que é para hoje, pois pouco traduziu a modernidade e o acesso aos bens e serviços relacionados a veículos motorizados. Paralelo a isso, houve o esquecimento e o incentivo ao uso de bicicletas para o deslocamento ou auxílio de quem precisa percorrer uma longa distancia. O chamado sistema modal ( usa-se dois meios de transportes para se chegar a um lugar) não foi planejado visto que no máximo, as pessoas pedalavam como prática esportiva ou lazer nos fins de semana, quase nunca para locomoção diária.
Evidente que há motivos econômicos no uso de bicicletas que estão implícitos e nem percebemos. Primeiro é a desconstrução da indústria do “carro” e do petróleo. Ter um carro é, em alguns casos, necessário, sua banalização no deslocamento é que torna esse meio de transporte um problema. Agora, pense na quantidade de dinheiro e circulação de mercadorias que estão escondidos ao comprar e “usar um carro” ou moto como transporte? Essa indústria só cresce no sistema capitalista.  Sua ampliação vai desde novos consumidores até os estacionamentos em condomínios e nas ruas da cidade. Paralelo a isso, o preço da gasolina em relação a manutenção de uma bicicleta, é bem mais barato.
                A gestão de qualquer cidade renegou o planejamento de ciclofaixas. Parece que não existem pessoas que fazem uso da bicicleta para os fins acima mencionados. Gente que vai trabalhar, a escola ou ao comercio, usando uma bicicleta. Um olhar atento e se perceberá quem são os ciclistas da cidade ( sua idade, classe social, profissão...)
                Recentemente foi implementado linhas de ônibus em Macaíba. Assim, além do taxi e mototaxi, agora os bairros terão linhas que passarão regularmente. Qual o preço disso ? Será que se resolveu a questão da mobilidade? Por outro lado, pedalar cotidianamente em Macaíba é um desafio. Tem certas horas em que ninguém vai ou vem a lugar nenhum. Enfartamos as ruas com todo tipo de transporte de maneira desordenada. Como chegamos a esse ponto? Assim, disputamos com nossas bicicletas um pequeno espaço entre caminhões, ônibus, carros e motos. Depois, vem o segundo desafio: Onde estaciona-las? A carência de lugares para guardar as bicicletas é notória, basta ver a quantidade presas a postes e placas de sinalização.
                Para rever esse cenário de desordem no trânsito, falta de política de monilidade e projetarmos um futuro melhor, é necessário adotarmos práticas pessoais e institucionais para o uso da bicicleta. Não adianta fazer um passeio ciclístico da escola, instituição ou grupo de amigos a noite ou num domingo, enquanto continuamos durante a semana sendo imprensados ou esquecidos pelos motoristas. Uma pessoa que participa do passeio precisa adotar a bicicleta como meio de transporte cotidianamente.  
Qualquer comércio ou repartição na cidade poderia ter bicicletários e atrair clientes com isso, algo simples que estimularia mais pessoas a irem com sua bicicleta para esse estabelecimento. As instituições poderiam estimular os funcionários dando o “vale-bicicleta”, uma alternativa ao vale transporte. Uma vez na semana por exemplo, o gerente pode ir a repartição usando a bike. Na área da educação, os alunos que fossem para as escolas de  poderiam ganhar  pontos nas matérias se usassem a bicicleta para irem as escolas. Os professores alternaria o uso carro com uma bicicleta. Alguns lugares no Brasil já fazem isso. De imediato não veríamos resultados na mudança de comportamento das pessoas, mas a longo prazo  seria percebido na cidade.

                E pensar que Augusto Severo usava bicicleta, mas é esquecido nas horas de transito congestionado.

domingo, 20 de agosto de 2017

Macaiba, outra cidade

Em qualquer cidade hoje se observa os moradores e  o uso e acesso de cada um em relação as tecnologias. Até, podemos medir essa relação ao ritmo em que esse fenômeno social foi ocorrendo nos últimos anos. Ou seja, como nós nos tornamos extensão da “era digital.” Uma enxurrada a cada ano. Se você parar um pouco para pensar quantos telefones já teve e terá, pode perceber a dimensão.  Isso não ocorre somente na informática, os eletrodomésticos estão dentro do processo de menos duráveis, sem conserto e descartáveis.
Esse ciclo da exploração de matérias primas, produção, comércio e descarte gerou uma crise ambiental e social. Dai, um novo conceito que tente redimensionar a vida e produção e consumo: Sustentabilidade, que significa ser a capacidade de exploração das matérias primas e impactos mínimo na natureza, associando a vida social mais solidaria com o diferente.
Em outras palavras, atender ás necessidades sociais de todos sem comprometer as gerações futuras e suas próprias necessidades. Esta é uma das definições mais simples de entender o novo desafio colocado para cada cidadão, quer seja a um asiático, americano ou macaibense. Assim, a nossa cidade e suas gestões devem administrar de forma ecologicamente correta, de economia viável, socialmente justa e culturalmente aceita. E isso tem haver como nós produzimos, comercializamos e descartamos os lixos.
Façamos um duplo movimento: primeiro retroceder no processo de exploração e ocupação que viveu a cidade até agora. Desde a fundação até os dias atuais. Depois, irmos adotando atitudes sustentáveis individualmente e nas instituições macaibense e dar e possibilidade educação que envolva a todos. Assim, introduzir novas formas de atender a demanda social, de produção e consumo dos cidadãos. Far-se-á necessário aglutinar um pouco de cada um dos serviços oferecidos na cidade, e quiçá desenvolver um método para melhor sistematizar a exploração, comercialização e consumo na cidade, pilares da sustentabilidade.

Explicar e colocar em pratica não é difícil. Basta tentar trazer para o cotidiano das conversas do macaibense. Numa parada de ônibus puxar assunto sobre a questão da mobilidade urbana com uso de meio menos poluente como bicicletas, é levantar o debate institucional sobre a arborização, na hora que somos clientes e compramos os produtos ver a maneira de como são embalados ou se somos comerciantes vender de forma ecologicamente correta e até observar a forma de moramos nas nossas casas. Assim, a gestão do município deve voltar para todos os segmentos e organizar uma pauta com passos para ir diminuindo a degradação social e ambiente na cidade, afinal, Macaíba pode ser outra cidade para todos.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Um presente

Como não podia ajuda-lo na marcenaria por ser um trabalho pesado, o garotinho o acompanhava para os lugares. Aquela amizade entre os dois se revelava em gestos comuns para os demais familiares e que somente ambos sabiam que os ligavam: "Me dê a mão." Disse o pai a Sandro e atravessaram a avenida. Havia um cumplicidade naquelas duas mãos passando a rua. As vezes, Sandro chegava da escola, corria até a marcenaria e estendia a mão o boletim para o homem envolto em serragem, ele deligava a máquina e olhava as notas. Sorria e estava feito o pacto novamente que ligava pai e filho.
Nesse tempo havia dificuldades financeiras que eram contornadas. O básico era mantido para uma família numerosa. Para suprimir um aniversário ou feriado, o pai fazia um piquenique na praia. Noutras ocasiões, após fazer uma entrega de portas e janelas,  trazia umas revistas infantis para filhos, Adorava ficar na sala vendo as crianças lerem. Vez ou outra dava um dinheiro para os filhos irem o cinema no domingo. Assim, o tempo se movia entre eles.
Era quase natal e o dinheiro, pouco. contudo. o suficiente para quitar as dívidas e a esposa fazer  a ceia. Não se conversava sobre presentes e  nem papai noel, pois isso poderia despertar o desejo de presentes. Na semana, 0 pai precisou ir ao banco no centro e levou Sandro. Quando estavam voltando, o menininho solta da mão do pai e correndo entrou numa loja de brinquedo. Ficou encantado com os jogos, bonecos e aparelhos eletrônicos. Andou por entre as prateleiras e viu um xilofone e ficou maravilhado com som. Agarrou com as mãos. O tempo de encantamento foi suficiente para o pai entrar na loja, procurar o filho e pegar na sua mão:" Vamos meu filho, temos que chegar em casa." E puxou a criança para fora. No meio da multidão ansiosa, Sandro falou: " Pai, compra para mim aquele brinquedo, por favor? É natal..." O pai prontamente respondeu: " Depois, meu filho. Depois..." No intimo, os dois sabiam que essa promessa não iria acontecer. O menino ainda chegou a dizer que tinha umas moedas guardas no cofre. Mas o pai permaneceu em silêncio.
Veio o dia de Natal, a arrumação da casa. A meia-noite, a família reunida entorno da mesa, comeram, beberam e brincaram. Depois, os filhos foram aos poucos indo dormir. De madrugada, Sandro ouviu uma conversa no quarto dos pais. Silenciosamente saiu do quarto e escutou. Ele nunca tinha visto o pai chorar e não entendia direito as palavras ditas naquela conversa com a esposa. Porém, as poucas palavras foram suficiente para compreender que se tratava dele e do episodio do brinquedo. O arrependimento bateu no coração e ele teve dificuldades em dormir.
Noutra ocasião, Sandro recebeu o presente de seu pai. Hoje ele é gente grande, lembra do pai e do xilofone e tudo isso lhe parece um sonho.