sábado, 7 de agosto de 2010

A cultura em oposição a Natureza.

Observemos de início que há uma diferença existente entre a atividade animal e a humana. O animal toma o meio-ambiente tal como lhe é dado, adaptando-se às condições climáticas e ajustando-se ao espaço que o circunscreve. Os instintos serão acoplados ao ambiente de tal maneira que eles se sentirão parte da natureza que os circunscreve. Já a existência humana e as próprias atividades são o resultados da ação dos mesmos, assim vemos que há um percurso inverso aa do comportamento dos animais e plantas. 
O ser humano não toma a natureza como  limite e nem como parte dela;  transforma -a  para ajusta-la as exigências (BERGER:1985, 235). Portanto é no meio  social que o mesmo possui a capacidade de se livrar do comportamento instintivo, de uma forma radical e consequentemente construir as escolhas e ações.
Deve-se ressaltar um contraponto a apartir do daí: as leis da natureza, dizem realmente o que acontece e as leis humanas são de uma condição prescritiva, dizem o que deve e/ou não ser feito. Assim, o conhecimento tradicional e conservador, expresso no senso comum, tenta incutir a falsa idéia de que qualquer ato  humano é determinado pela herança genética. As Ciências Humanas tem revelado e desconstruído tais ideias que reafirmam a incapacidade humana de modificador do comportamento.Poderíamos afirmar como capacidade exclusivamente humana a linguagem e a ação por “liberdade”. Esses pontos expostos são importantes para compreendermos a cultura em oposição à natureza. Porém, buscamos aprofundar a questão com referências mais atenuantes no universo humano.
É nessa condição de ser transformador das leis e modificador do meio que as necessidades também geram um ato de organizar simbolicamente a vida e se tornar refém da condição simbólica.(GEERTZ:1989) Nesse ato organizado e instaurado do social já podemos considerá-lo como um ser tecnológico, capaz de aprimorar seus utensílios e suas formas de socialização.

2 comentários:

Mine Textos para Teatro disse...

Esse poder é adquirido na formação cultural de cada ser. O adquirido direciona o ser humano, mesmo quando conscientes do poder transformador. É uma neura. Adorei o texto. Muito bom!

ADI PORRA disse...

como se "tornar refém" de algo que foi essencial e conduziu a humanidade por toda sua existencia ?