quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CORPOS DE DEVASSOS

Os adolescentes e jovens prestadores de serviços sexuais são personagens reais que compõem os cenários das cidades, principalmente dos centros urbanos. Recebem várias denominações: “boy”, “ garoto de programa” e “michê” entre outras, não têm uma idade certa, mas que se situam precisamente entre a adolescência e não muito até os 25 anos. A partir de uma vivencia diversa com os outros, vão se inserindo no meio. Adquirem nomes fictícios e assim como tornam-se trabalhadores do sexo, também deixam de viver do mesmo. O objetivo desse artigo é destacar alguns pontos importantes sobre o mercado do sexo viril e as relações com as identidades construtivas e a territorialidade do desejo no próprio espaço social da cidade e na condição de construção do corpo.O presente ensaio se propõe a refletir acerca dos garotos de programa, buscando apresentar itens que revelem outra dimensão da que temos do senso comum. De fato o universo que gira os profissionais do sexo é diverso no grupo e um tanto numero de pessoas que estão envolvidos. A complexidade de ser homem e se prostituir engendra questões morais, sociológicas e econômicas, poderíamos abordar o tema que a partir dos elementos utilizadas para a conquista de seus clientes e com uma analise que desenvolva a desempenho aglutinador deles em torno da pratica da prostituição.
Em tempos de "turismo e globalização" se evidenciando as “garotas de programa” nos assuntos diarios e na midia. Pouco se configura sobre os rapazes no mercado do sexo de forma. E é assim quase invisível, mas com a urgência de uma analise sociológica que nos propomos a discutir ou iniciar o assunto.
PRIMEIROS PASSOS:
Desde a academia de musculação até as franquias de roupas masculinas, os "rapazes de programa" vão se elaborando no imaginário social que o mitificam ou estigmatizam. Ao mesmo tempo em que fazem uma mobilização social com a atividade quando utilizam os recursos financeiros que possibilitam instabilidade econômica e acesso a bens culturais. "Os michês" têm desenvolvidos um mercado exclusivo dento do serviços sexuais e dando novos contornos para se pensar questões entre sexualidade e a interação dos valores capitais e inserindo novos elementos dentro das reflexões de gênero, da identidade, práticas sexuais e outras. Vale apena lembrar que serviços sexuais tornou um termo amplo para designar motel, sex shop, filme porno e outros meios onde o sexo gera rendimentos.
SEGUNDO PASSO;
Quando se ganha a visibilidade na sociedade sobre o assunto, geralmente é por terem a imagem associada a violência e a marginalidade. Na impressa, o assunto é tratado de forma alarmista ou preconceituosa. Certamente alguns que se passam por “michê”, na verdade não são. Vão as áreas de prostituição e cometem o rouba e crime. Um profissional do sexo com bom senso que atua regularmente no mercado do sexo não faria isso para sujar a imagem. O próprio trabalho é arriscado ao profissional, pois pode haver extorsão de marginais, da policia e até mesmo dos próprios clientes.
A história de vida deles e como chegaram ao mercado do sexo já é motivo de se busca uma política publica exclusiva e em paralelo desenvolver o respeito e a tolerância a pratica dos serviços sexuais por parte de cada segmento social.
TERCEIRO PASSO:
Por vezes queremos separar sexualidade e cultura, mas as pesquisas sociais mostram que existe uma relação intrínseca em o viver a sexualidade a partir das influencias culturais. Dentro dessa leitura, podemos afirmar que o serviço sexual é muito mais um resultado e confluência de vetores sociais e históricos do que algo subjacente no individuo que prática e no cliente que busca o serviço.
A relação econômica dos profissionais do sexo torna-se simétrica a atividade sexual, não pode-se afirmar que em primeiro plano reside a necessidade financeira e que usa-se o sexo para garantir um rendimento honorário e ao mesmo tempo ter/dar um prazer efêmero. O financeiro se torna um elemento no comércio, não é o principal ou o mais importante. Nosso olhar se condicionou a enxergar a questão assim e deve-se desconstruir esse adestramento dos valores acerca dos profissionais do sexo.
Dependendo do profissional, o local e o que vai acontecer o preço vai variar. Tudo é incerto e improvável entre quem faz e que procura. A famosa lei da oferta e da procura. Existe internamente na prostituição viril, situações limites entre os garotos de programa, mas isso é uma fronteira que se borra com a idade e o tempo.
Há aquele que oferecem seus serviços por telefone colocando o número nos jornais locais ou internet, então se dizem “universitários” “rapazes fino trato” e outros adjetivos que moldam-os até as partes intimas com polegadas. Já os “massagistas” de saunas aparecem são jovens trabalhadores autônomos, moram em bairros periféricos e que a noite prestam serviços com massagens para quem quiser. Por fim, há aqueles que vão para rua e em algum bar. Esse grupo seria os despossuídos por estarem contando com todos os clientes e ficarem a mercê dos riscos que a noite oferece. Acredito que são os mais estigmatizados, pois eventualmente, um marginal se passa por michê e os rouba ou comete violência com os clientes. Como já mencionei, isso não quer dizer que são categorias estanques. Alguns elevam na hierarquia e tem ascensão para o topo dessa pirâmide de mercado.

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